Donato Deputado PT

MP-SP ACATA PEDIDO DE DONATO PARA APURAR POSSÍVEIS ELOS ENTRE O BANCO MASTER E AS PRIVATIZAÇÕES DE SABESP E EMAE

MP-SP ACATA PEDIDO DE DONATO PARA APURAR POSSÍVEIS ELOS ENTRE O BANCO MASTER E AS PRIVATIZAÇÕES DE SABESP E EMAE

MP-SP acata pedido de Donato e apura possível elo entre Banco Master e privatizações da Sabesp e EMAE

Promotoria do Patrimônio Público instaurou notícia de fato e deu 45 dias para que Sabesp, EMAE, TCE-SP e governo Tarcísio prestem esclarecimentos sobre suspeitas apresentadas por Donato

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) acatou a representação apresentada pelo deputado estadual Donato (PT) e instaurou uma notícia de fato para apurar, em caráter preliminar, um possível elo entre o escândalo envolvendo o Banco Master, de Daniel Vorcaro, e os processos de privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE), realizados durante o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos).

A decisão da Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social representa um avanço no pedido de investigação protocolado pelo deputado Donato. Em despacho assinado pela promotora Cíntia Marangoni em 15 de julho, o MP-SP deu prazo de 45 dias para que a Sabesp, a EMAE, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) e o governo estadual apresentem informações sobre os fatos relatados na representação.

O procedimento busca verificar, inicialmente, se existem elementos mínimos que indiquem possíveis atos de improbidade administrativa, lesão ao patrimônio público, violação aos princípios da Administração Pública, frustração da competitividade, deficiência deliberada de diligência administrativa, conflito de interesses ou favorecimento indevido de particulares.

A promotoria também pretende analisar se houve eventual utilização de empresas submetidas ou anteriormente submetidas ao controle estatal em benefício de interesses privados.

Após o recebimento das informações ou o término do prazo estabelecido, o MP-SP deverá avaliar se há justa causa para instaurar um inquérito civil e aprofundar as investigações.

As suspeitas apresentadas ao Ministério Público
A representação encaminhada à Promotoria questiona uma série de relações societárias e financeiras envolvendo o Banco Master, Daniel Vorcaro, o investidor Nelson Tanure, o empresário Carlos Piani e outros grupos que participaram, direta ou indiretamente, das operações relacionadas à EMAE e à Sabesp.

O documento também chama atenção para a participação do pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, nas doações eleitorais realizadas em 2022. Zettel doou R$ 2 milhões para a campanha de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo e R$ 3 milhões para a campanha de Jair Bolsonaro à Presidência da República.

A partir dessas relações, a representação pede que sejam esclarecidas as conexões entre os grupos e pessoas envolvidos nas operações financeiras e os processos de desestatização conduzidos pelo governo paulista.

A privatização da EMAE
A EMAE foi privatizada em abril de 2024, quando o Fundo Phoenix venceu o leilão das ações pertencentes ao governo estadual por aproximadamente R$ 1,04 bilhão, superando a proposta apresentada pela EDF.

Um dos pontos questionados é a estrutura utilizada para a operação. O Fundo Phoenix havia sido constituído menos de um mês antes do leilão, em março de 2024.

A representação também cita informações de parecer técnico da Superintendência de Registro de Emissores da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), segundo o qual a aquisição do controle da EMAE foi viabilizada por uma estrutura financeira que envolveu o Banco Master, por meio da Trustee, além de Nelson Tanure e Tércio Borlenghi Junior, fundador e controlador da Ambipar.

Outro ponto levantado é a trajetória de Carlos Piani. O empresário presidia o Conselho de Administração da Ambipar no período da operação envolvendo a EMAE e, após a privatização da Sabesp, assumiu a presidência do Conselho de Administração da companhia.

A representação também cita Karla Maciel Dolabella, que assumiu a presidência da EMAE após a privatização e anteriormente havia liderado a área de fusões e aquisições do Banco Master. Em dezembro de 2025, ela deixou os cargos de CEO e diretora de Pessoas e Sustentabilidade da empresa, alegando razões pessoais.

As conexões com a Sabesp
Em julho de 2024, o governo Tarcísio concluiu a privatização da Sabesp. O controle da companhia passou para a Equatorial, que se tornou acionista de referência após a oferta de ações realizada pelo Estado.

O processo é questionado na representação principalmente pelas conexões entre os grupos envolvidos nas duas operações. Carlos Piani, que presidia o Conselho de Administração da Ambipar durante o período da privatização da EMAE, também ocupava a presidência do Conselho da Equatorial no momento da desestatização da Sabesp.

Em outubro de 2024, Piani assumiu a presidência da Sabesp, cargo que ocupa atualmente.
A sequência de operações envolvendo a EMAE após sua privatização também é apontada como um dos pontos que precisam ser esclarecidos. Segundo as informações apresentadas ao MP-SP, entre julho e setembro de 2025, Nelson Tanure teria utilizado recursos da empresa para adquirir títulos de renda fixa emitidos pelo Banco Master.

Posteriormente, após a execução de uma dívida relacionada à aquisição da EMAE, a XP Investimentos teria assumido o controle da empresa. Na sequência, a Sabesp, já privatizada, teria adquirido a EMAE.

Para a representação, a sequência dos negócios levanta dúvidas sobre possíveis conflitos de interesses e eventual favorecimento de grupos privados, além de questionamentos sobre a utilização de uma empresa estratégica para o setor de recursos hídricos paulista.

MP-SP vai analisar possíveis irregularidades
Na representação, foram solicitadas investigações sobre possíveis crimes contra o mercado de capitais e o sistema financeiro nacional, além de lavagem de dinheiro, organização criminosa e eventuais atos de improbidade administrativa.

O documento também cita investigações envolvendo empresas e pessoas relacionadas ao grupo, incluindo operações da Polícia Federal que apuram suspeitas de lavagem de dinheiro e fraudes financeiras e contábeis.

Com a decisão da Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social, o Ministério Público começa agora a reunir documentos e informações para avaliar as suspeitas apresentadas.

A instauração da notícia de fato não significa que as irregularidades apontadas já tenham sido comprovadas. O procedimento é uma etapa preliminar para que o órgão de controle analise os fatos e decida se existem elementos suficientes para abrir um inquérito civil.

O prazo de 45 dias para o envio das informações será o primeiro passo de uma apuração que poderá esclarecer as relações entre as privatizações da EMAE e da Sabesp e as operações financeiras envolvendo o Banco Master e os demais grupos citados na representação.

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